O Novo Fenômeno Brasileiro

 

Por Roger Ferreira
Fotos de Gabriel Medina no Arpoador, por Rodrigo Molina

Fenômeno, fora de série, monstro (na linguagem dos surfistas). Qualquer adjetivo relacionado a Gabriel Medina, o garoto prodígio de Maresias, no litoral norte de São Paulo, de apenas 21 anos, não será exagerado.

Aos 16 anos, em sua primeira temporada entre os maiores surfistas do planeta na elite do surf mundial, Gabriel ignorou seus adversários de peso e, logo em sua terceira prova, atropelou o maior surfista de todos os tempos, Kelly Slater, para conquistar a primeira vitória da carreira na divisão máxima.
Mas, quem acompanha o cenário do surf e a carreira de Medina, já tinha a certeza que isso iria acontecer bem antes de 2011. Em uma competição de base do esporte, chamada “King of the Groms”, realizada em 2009 no Arpoador (RJ), Quando Gabriel ‘moeu’ seus adversaries com sua inigualável tática de pegar o maior número possível de ondas no início da bateria e não desistir até o soar da buzina. Naquele momento o moleque Medina deixou claro que poderia se tornar o maior nome do surf brasileiro de competição de todos os tempos.

Me recordo de ter escrito no artigo sobre a competição no Arpoador para a Revista Surfar, na qual era editor na época, que as qualidades do jovem surfista que mais me chamavam atenção eram a concentração, o sangue frio e o talento fora do comum. E a sua atitude mostrava uma força mental gigantesca, semelhante a que o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater usou ano após ano para vencer seus adversários.
Gabriel Medina 2Outro diferencial de Gabriel Medina é a família. Nós, brasileiros, temos uma ligação de grande dependência com nossos familiares mais próximos, um pouco diferente dos gringos. Charles, pai/padrasto de Gabriel foi que me apresentou ao moleque em 2008. Na época o responsável pelas pranchas do fenômeno era Beto Santos, meu amigo, que começou a produzir pranchas para Medina a pedido do padrasto, também seu amigo. E o apoio da família Medina foi primordial para o crescimento do filho prodígio como ser humano e atleta.
[br] Menino tímido, de poucas palavras, Gabriel teve uma educação exemplar e contou com a estrutura familiar também no surf, em seu staff particular. Fechou ótimos contratos, ganhou experiência ainda muito jovem no circuito mundial[br][br][br]até consagrar-se, chegando ao inédito título mundial na elite do surf para o Brasil.
Medina liderou o circuito por quase toda a temporada e venceu três etapas tradicionais, batendo adversários consagrados como Kelly Slater, em ondas clássicas e gigantes no Taiti, até chegar ao Havaí, onde foi coroado campeão do mundo pela ASP (Associacão dos Surfistas Profissionais), no último ano da entidade no cenário, pois a partir de 2015 o circuito mundial vai se chamar WLS (World Surf League). Tudo isso com apenas 20 anos.
A ascensão do garoto dourado do surf brasileiro trouxe a reboque o reconhecimento da grande mídia, e Medina foi destaque nos principais jornais do país, estampando suas concorridas capas, além dos telejornais e programas jornalísticos mais tradicionais, levando o surf para um outro patamar jamais visto em terras tupiniquins, realizando o sonho de todos nós, surfistas.
E Gabriel Medina tem surf e atitude de sobra para continuar vencendo nomes consagrados com mais experiência que ele, etapas e pode, sem sombra de dúvidas, tornar-se campeão mundial novamente. O fenômeno de Maresias sabe suportar a pressão como poucos, e isso será primordial daqui pra frente, pois ele agora é o cara a ser batido.

Roger Ferreira é jornalista