Introdução [br] [br]

Aqui, no Ipanema View, contaremos um pouco da história do bairro em alguns capítulos. Desde o início, por volta do século VI, com os primeiros agrupamentos indígenas, até os dia de hoje.
Iniciaremos, porém, citando e transcrevendo o texto de apresentação do ótimo livro Ela é Carioca, de Ruy Castro, sobre Ipanema e os seus personagens, que descreve e resume muito bem a essência da alma e do espírito dos ipanemenses que é, na verdade, o segredo de Ipanema ser o que é. [br]

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” Como foi possível que, naquela estreita faixa entre o oceano Atlântico e a Lagoa Rodrigo de Freitas, chamada Ipanema, no Rio de Janeiro, surgissem tantos cronistas, poetas, romancistas, designers, arquitetos, cartunistas, artistas plásticos, compositores, cantores, jornalistas, fotógrafos, cineastas, dramaturgos, roteiristas, cenógrafos, figurinistas, atores, diretores de TV, modelos, estilistas de moda e esportistas? Para não falar nas grandes mulheres: as divas, as deusas, as musas.

A resposta está nas características tão peculiares de Ipanema: um bairro desde cedo povoado por imigrantes europeus, que se misturaram aos nativos quase em segredo durante a primeira metade do século, longe dos olhos da cidade (e até mesmo da vizinha Copacabana).
Uma cultura à beira-mar, em que os intelectuais se misturavam aos pescadores e quem soubesse ler o vento e as marés era tão respeitado quanto quem lesse filósofos alemães. Os acanhados limites de Ipanema faziam com que gente de todas as especialidades roçasse cotovelos – na praia, nas ruas, nos bares e nas casas uns dos outros -, criando uma excitante mestiçagem cultural. Os livros, peças, quadros, fotos, produzidos por Ipanema logo transbordaram dos limites do bairro e inundaram o país.
E seu posto avançado, o Arpoador, foi também o laboratório do comportamento moderno no Brasil, o território do sexo sem culpa, das mulheres liberadas e dos homens que tiveram de reeducar-se para conviver com elas. Dos anos 10 aos anos 70, Ipanema era uma província, sem  dúvida – mas uma província habitada por cosmopolitas.” [br]  [br]
Foto: Rodrigo Molina