A História de Ipanema – Parte 2

Além dos índios tamoios, os primeiros proprietários das praias da zona sul do Rio foram alguns portugueses. Em 1603, Antônio Pacheco Calheiros, que tornou-se vereador em 1619, adquiriu enfiteuse de terras (arrendamento por prazo longo ou perpétuo de terras públicas a particulares) que iam do engenho de Diogo de Amorim Soares (Lagoa) até a “costa brava” (Leblon), chegando até a Gávea (Vidigal). Em 1606, Afonso Fernandes e sua esposa, Da. Domingas Mendes, conseguiram carta de sesmaria da câmara que lhes permitiam o aforamento de “300 braças começadas a medir do Pão de Açúcar ao longo do mar salgado para a Praia de João de Souza (Botafogo) e para o sertão, costa brava, tudo o que houvesse”. Todos esses terrenos pertenciam a marinha: do Leme ao atual Leblon. Incluindo-se nessa área a atual Ipanema. Pagavam foro de 1000 réis. Em 1609, após o falecimento de Afonso Fernandes, a viúva Da. Domingas, transferia esse aforamento a Martim de Sá, Governador do Rio de Janeiro (1602/08, e 1623/32), filho do então ex-Governador Salvador Corrêa de Sá, para fazer parte do engenho que o mesmo possuía na Lagoa.

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Ipanema/Arpoador – Fim do Século XIX . Foto de Marc Ferrez

No entanto, esse engenho, “Nossa Senhora das Cabeças”, não teve vida longa, e Martim de Sá erguia outro maior em terras que adquirira na aldeia de “Guaraguassú Mirim” (hoje, Barra da Tijuca). Então, a concessão de terras daquela região foi sendo aos poucos repassada, sucessivamente em 22 de junho de 1609, das áreas que iam desde o Pão de Açúcar até a “Praia Brava” (Leblon); em 23 de setembro de 1611 (mais terras); em 19 de julho de 1617 (para aumento de pastos); e em 1619 ao dono do “Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa”, Sebastião Fagundes Varela. A concessão era por 9 anos e tinha mais 400 braças (antiga medida de comprimento equivalente a 2, 2 metros) para o sertão, permitindo a exploração para pasto e extração de madeiras para o engenho de sua propriedade. Assim, Varela, aos poucos, se tornou dono de todas as terras que iam do Humaitá ao Leblon. A extensão de suas posses abrangia 1700 braças de testada e 4.500.000 braças de área, que englobava a atual Lagoa Rodrigo de Freitas. Os terrenos pagavam foro de 6$400 réis ao “Senado da Câmara”. Sebastião Varela criava gado em toda a região, incluindo as praias, onde o rebanho pastava entre cajueiros, ananases e pitangueiras.

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Pintura a óleo ilustrando a região da Lagoa Rodrigo de Freitas por volta de 1700

 

 

 

Com o passar dos anos, o Engenho foi acumulando prejuízos até ser desapropriado e leiloado pelo rei dom João VI, em 1808. Na época, essa área era conhecida como Praia de Fora e mudou de proprietários inúmeras vezes até ser adquirida pelo comendador Francisco José Fialho, que a repassou ao filho, José Antônio Moreira Filho. Mais conhecido como Barão de Ipanema.

 

 

 

 

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