Luz, Câmera, Ação, Cinema e Ipanema

 

Nas 450 páginas do livro Ela é Carioca – Uma Enciclopédia de Ipanema – do jornalista, escritor, Ruy Castro, publicado nos final dos anos 90, contando um pouco de tudo e de todos que ajudaram a construir a história do bairro mais carioca do Rio, desde a sua origem até a década de 80, encontram-se inúmeros personagens que nasceram e, ou, viveram em Ipanema. Não sabemos se Ruy pretende lançar a continuação do essencial livro, para os que desejam conhecer outros ipanemenses que continuaram a saga na construção mística, física, filosófica, e da imagem do bairro, mas se o autor resolver prosseguir na coletagem de novos personagens, não seria exagero que a do cineasta Ivann Willig, 49 anos, gaúcho de Cachoeira do Sul, que viveu em Ipanema durante 17 anos, precisaria estar no “Volume II”.
Hoje, afastado do bairro fisicamente, mas, não, sentimentalmente, Ivann, formado em Artes Cênicas pela UNIRIO e Cinema, pela UNESA, é diretor e roteirista de 6 curta-metragens. Seu penúltimo, Escolhas, foi selecionado em 6 festivais internacionais e premiado 33 vezes. O mais recente, Rosa, participou de 23 festivais, nacionais e internacionais, recebendo 7 premiações. Em Los Angeles, EUA, no Festival LABRFF, edição 2019, foi eleito o melhor filme.
Ao seu lado, está Zeca Teixeira, 49 anos, carioca, administrador de empresas e também apaixonado por cinema, que acompanha, muito de perto, as produções no setor, sendo presença constante em vários festivais no Brasil e no exterior,
Já nesse início de 2020, Zeca começou a se relacionar diretamente com o cinema ao produzir um documentário, longa metragem, sobre o badalado concurso de Drag Queens que é realizado no Teatro Rival.
E por todo esse amor ao cinema, a dupla Ivann e Zeca, juntamente com a MIDORI Produções Artísticas, reforça essa união para criar e realizar a primeira edição do FIC RIO, Festival Internacional de Curtas no Rio de Janeiro. O local escolhido para essa iniciativa será na Cinemateca do MAM, entre 25 e 27 de junho.
Aproveitando a oportunidade, o Ipanema View bateu um papo com Ivann e Zeca para falar de cinema, do FIC Rio e, claro, sobre Ipanema.

 

Ipanema View:
– Você morou durante 17 anos em Ipanema. Neste período, qual a sua impressão sobre o bairro e o que mais curtia nestas quase duas décadas de ipanemense? Você ainda frequenta nossa Ipanema?

Ivann:
– Eu sempre considerei Ipanema o melhor bairro pra se morar, por ser um bairro relativamente pequeno, arborizado, limpo e, principalmente, por estar entre belezas incontestes: praia e lagoa. Meu programa preferido era poder caminhar na orla aos domingos e admirar aquele visual exuberante tomando um açaí. Sempre gostei de uma combinação perfeita: uma boa leitura, sob o guarda-sol, ouvindo o barulho da água do mar.

Mesmo morando em outro bairro temporariamente, Ipanema continua muito presente na minha vida.

Ipanema View:
– Poderia nos citar qual o posto da praia que mais frequentava na época, e frequenta atualmente, e quais lojas, restaurantes, outros, de sua preferência, daquele período e de hoje em dia?

Ivann:
– Por um tempo, frequentei o Posto 9, na altura da Farme de Amoedo, e depois me rendi ao sossego do Posto 10, em frente à rua que eu morava, Henrique Dumont. Meus almoços de domingo eram alternados entre o Nectar e o Delírio Tropical (meu restaurante favorito). Quanto às lojas, por não ser consumista, frequentava apenas as lojas que eu gerenciei: Papel Craft e Empório Ásia. Trabalhei também na extinta Blockbuster e no restaurante do José Hugo Celidônio.
Ainda frequento quase que semanalmente Ipanema: a praia no Posto 10, o cinema, os amigos da Henrique Dumont e alguns restaurantes.

Ipanema View:
– Como começou a relação de vocês com o cinema? Nos fale sobre suas preferências e se já pensou em algum projeto que envolva Ipanema.

Ivann:
– O cinema entrou na minha vida aos 5 anos de idade quando fiquei impactado ao assistir Tubarão, de Steven Spielberg. De lá pra cá, são quase 5 mil filmes vistos no cinema. Me formei em Cinema pela UNESA, atualmente tenho roteirizado e dirigido meus curtas.
Ipanema é sempre certeza de ótimas imagens para se ter em um produto de audiovisual, mas para incluir nos meus filmes, eu teria que mostrar ângulos mais voltados para a praia, pois me identifico em realizar filmes que retratem um passado mais distante.

Zeca:
– Como para muitos da minha geração, o meu primeiro contato com a tela grande foi com minha avó me levando a um filme dos Trapalhões. E através de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, de Steven Spielberg, tive meu primeiro contato com o cinema internacional. A partir daí, a paixão só aumentou.
E ao conhecer, há dois anos, o mundo dos festivais independentes, de uma turma de cineastas aguerridos produzindo filmes da melhor qualidade, o cinema simplesmente passou a estar no meu dia a dia. Agora me vejo produzindo um documentário, gênero que amo, junto a uma equipe de amigos queridos e talentosos. E já sonhando com o dia em que contarei um pouco das histórias curiosas de Ipanema e de seus habitantes em um documentário meu.

Ipanema View:
– Nos cite 3 filmes nacionais e 3 estrangeiros de suas preferências e que, talvez, possam ter induzido a fazerem cinema.


Ivann:
– Meus filmes favoritos no cinema nacional são: “Central do Brasil” (Walter Salles), “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles) e “Casa de Areia” (Andrucha Waddington). Já no internacional são: “Thelma & Louise” (Ridely Scott), “Titanic” (James Cameron) e “A Lista de Schindler” (Steven Spielberg).

 

Zeca:
– Os filmes que mais me marcaram no cinema nacional foram: “Chuvas de Verão” (Cacá Diegues), “Pixote, a lei do mais fraco” (Hector Babenco) e “Central do Brasil” (Walter Salles). Já internacionalmente foram: “Tomates Verdes Fritos” (Jon Avnet), “Sociedade dos Poetas Mortos” (Peter Weir) e “Me Chame pelo seu nome” (Luca Guadgnino).

Ipanema View:
Como carioca, o que a imagem de Ipanema significa para você?

Zeca:
– Curioso, mas ao pensar em Ipanema, duas palavras vêm imediatamente a minha cabeça: transgressão e liberdade. Acredito que muito da história do bairro passa por isso, da transgressora Leila Diniz, aos hippies, culminando com a faixa de praia entre a Farme de Amoedo e Teixeira de Mello usada pelos frequentadores LGBTQIA+.

IpanemaView:
– Como surgiu a ideia de organizar o FIC RIO?


Zeca:
– Como frequentadores de festivais incríveis Brasil afora, veio a vontade de também acolhermos a turma do cinema aqui em nossa cidade. Assim, o Festival FIC RIO nasce do nosso interesse em valorizar os curta-metragens independentes, de darmos voz e espaço aos bravos realizadores do cinema nacional, conhecer suas histórias e suas formas de contar uma história.

Ipanema View:
– Nos fale mais sobre o festival. Os detalhes da organização, produção, divulgação.

Zeca:
– O FIC RIO está sendo realizado pela MIDORI Produções Artísticas e acontecerá de 25 a 27 de junho de 2020 na Cinemateca do MAM. Eu e Ivann estamos como curadores e diretores do Festival. Contaremos com uma cerimônia de abertura, dois dias para exibição dos filmes selecionados e debates com os realizadores presentes, além de uma cerimônia de premiação onde homenagearemos uma grande personalidade do cinema nacional. Serão 21 categorias premiadas com o Troféu Escolhas, valorizando assim os mais diversos profissionais que engrandecem o resultado final de um filme com seus talentos indispensáveis. Abriremos também inscrições para filmes internacionais, mas estes serão indicados apenas ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.

Não podemos esquecer de agradecer ao apoio dos amigos Marcoz Gomez, do FESTCINE Pedra Azul, e de Meire Fernandes, do LABRFF (Los Angeles Brazilian Film Festival). Inclusive, traremos uma grande novidade aos selecionados no FIC Rio 2020: o vencedor na categoria Melhor Filme (nacional) estará automaticamente selecionado para a próxima edição do LABRFF e do FESTCINE Pedra Azul.
As inscrições acontecerão de (25 janeiro a 29 de fevereiro) e nossa divulgação ocorrerá através das redes sociais e de grupos de festivais de cinema. Acompanhem nosso site