O Jeito Carioca Chique de Ser

Por Mariana Belmont

Não sou carioca. Sou fluminense, nascida há 33 anos na aprazível cidade de Niterói. A despeito da velha piada carioca que diz que a única coisa boa de Niterói é a vista para o Rio, sou completamente apaixonada pela cidade maravilhosa. É difícil não ser: o Rio é mesmo cheio de encantos mil. Há dois anos e meio cruzei a Dutra e vim morar em São Paulo. Mais uma vez a rixa não me teve como representante: sou fascinada por essa megalópole. Seus restaurantes abertos pela madrugada afora, sua infinidade de possibilidades culturais, as grandes grifes que trazem as novidades da moda internacional direto para cá, o ar cosmopolita. São Paulo é mesmo tudo de bom.

Richards Apesar de me identificar muito com a cidade, tem uma coisa da qual destôo claramente: o jeito de vestir da paulistana. Mesmo antes de vir para cá já observava isso: uma amiga paulistana, que conheci aos 16, é expert em maquiagem. Nem pensar sair sem um make caprichado. Cabelos têm que estar escovados. Quando fizemos o intercâmbio juntas, na adolescência, ela gastou todo o dinheiro que tinha levado comprando duas bolsas Fendi. Uma para ela, outra para a mãe. Sim, a paulistana adora ostentar uma grife internacional. O look tende ao luxo. Cuidado para não errar na mão, meninas paulixxxxxtas, senão fica perua demais. Quando penso na paulistana, me vem à cabeça a célebre personagem Carrie Bradshaw, de “Sex and the city”. Com uma observação: falamos aqui de forma generalista da paulistana classe média alta e alta. É claro que temos também as tantas tribos da Rua Augusta e da Paulista, com suas tatoos e looks vintage e cabelos metade raspados, como os da Alice Dellal. É claro também que o jeito de vestir não é definido necessariamente pela classe social, mas é sabido que o dress code vigente é uma forte influência.
Osklen2Mas toda essa análise do visual da mulher paulistana foi só para ressaltar que eu sou diferente no quesito vestir. Adoro o jeito easy chic de Ipanema e Leblon. E a minha grife preferida é a Richards. Valorizo muito as marcas que usam tecidos naturais, como linho, seda e algodão puro, e a Richards é uma delas. Tecidos sintéticos raramente têm a mesma qualidade e caimento de tecidos naturais. A preocupação com bons corte e acabamento é outra característica que me faz ter predileção pela marca.
Das grifes cariocas, me identifico também com a Osklen e com a Mara Mac. Ambas com uma pegada mais minimalista, apostam em linhas retas e shapes geométricos. Definitivamente, não sou uma moça que tende a babados. Neste ano de 2014, perdemos duas grifes cariocas muito queridas: Maria Bonita/Maria Bonita Extra e a Totem, que agora tem apenas uma loja, no Shopping Leblon. Triste, porque moda é cultura, é identificação, e assim também perdemos todas nós, fãs das duas marcas, um pouquinho da nossa própria identidade – construída também no jeito de vestir.
Apesar disso, sabemos que outras boas grifes surgirão. As crises econômicas passam, novos talentos despontam, e o Rio de Janeiro é sempre uma fonte de inspiração. Que me perdoem as paulistanas, mas sou muito mais o meu carioca style.